Minha vizinha preferida – Parte 1

Não posso reclamar da vida. Tenho vinte e dois anos, um metro e setenta e dois, tenho um bom emprego em uma imobiliária e o melhor: sou vizinho da Isabela. Vizinho de porta. Eu moro no quatrocentos e um e ela no quatrocentos e dois. Isso significa que quando acaba o sal ou o orégano, sou o primeiro para quem ela vai pedir socorro.

– Boa noite vizinho, vi que o meu potinho de açúcar está vazio. Tem um pouquinho aí sobrando? – A Isa perguntou semana passada quando apertou a campainha aqui do meu apartamento.

Ela estava com os pezinhos brancos descalços e vestia um short que deixava as coxas à mostra.
– Não precisa ser muito açúcar, pode ser pouquinho mesmo. – Ela emendou movendo aqueles lábios que pareciam um fino risco vermelho adornando o seu rosto. Eu imaginei aqueles lábios massageando o meu pau.
– E então, tem açúcar? – A Isa perguntou me tirando do transe. Eu, constrangido e com o pau quase abrindo o zíper, disse que sim. Fui até à cozinha e peguei o que ela queria.

– Ah, é muita gentileza, obrigada, viu? – Ela disse antes de retornar para o seu apartamento. Eu ainda consegui reparar que por debaixo daquele short branco ela usava uma calcinha atolada no cu. Quase bati uma punheta ali mesmo, na porta do meu apartamento. Pena que a Isa, meu sonho de consumo, gostava mesmo era de bocetas.

Não foram poucas as vezes que eu vi ela chegar no corredor abraçada com outra moça, ombro a ombro, língua com língua. Em uma dessas ocasiões ela até apertou a campainha do meu apartamento.

– Ah, vizinho, desculpa. Me enganei. – Ela disse se esforçando para ficar em pé e também para manter em pé a sua acompanhante. O mais incrível é que mesmo bêbada, com os cabelos desgrenhados e olhos tortos, a Isa não conseguia ficar feia.
Além de gostosa, eu reparei que a Isa frequentemente chegava no apartamento carregando peças velhas de computador, de notebook, ou de outras tranqueiras eletrônicas. Noite dessas ela carregava até a carcaça de um vídeo-cassete. Mas enfim, tenho para mim que isso seja normal, sei que ela trabalha em uma oficina de eletrodomésticos.

Pois então, ontem, logo no começo da noite, estava eu no meu apartamento quando escutei a abertura do Jornal Nacional. Imediatamente me acomodei no sofá. Eu paro tudo para assistir ao Jornal Nacional por causa da Renata Vasconcellos. Eu olho para ela na tela da TV e a imagino com a bundinha arrebitada e o seu furico à mostra enquanto dá notícias sobre a lava-jato. Isso deixa o meu pau apontado para o Cruzeiro do Sul.

E ontem estava eu socando uma bronha homenageando a Rê quando alguém apertou a campainha. Era a Isa. Logo imaginei que ela iria pedir açúcar ou manjericão. Mas para a minha surpresa:
– Oi, você me empresta o seu notebook? O meu quebrou.

Eu estava prestes a indagar porque diabos ela queria o meu, mas a Isa invadiu a minha sala, pegou o notebook que estava sobre a mesa e saiu correndo pelo corredor do prédio.
– É um assunto muito importante. – Ela disse.

Em situações normais eu estaria babando ao vê-la usando aquela calça jeans que realçava a sua bunda curvilínea, mas porra, no meu notebook havia gravados alguns programas do Fantástico. Eu soco várias bronhas assistindo a Poliana Abritta apresentando. Imagino que os pentelhos dela sejam tão rubros quanto os cabelos.

Para a minha surpresa ela subiu correndo a escada que dava acesso para o terraço do prédio. Eu fui atrás. O que eu testemunhei lá em cima sob o céu estrelado só não seria mais bizarro do que o Louro José bicando o cu da Ana Maria Braga.
Isa arrancou a bateria do meu notebook e a colocou no chão ao lado de outras peças eletrônicas, restos de celular, placas de TVs e outros componentes eletrônicos que eu não reconheci.
– Não chega perto, pois você pode atrapalhar o ritual. – Ela falou para mim apontando um olhar inquisidor.

Em seguida ela se ajoelhou perto daquelas peças eletrônicas, apontou os braços para a lua que parecia uma bola prateada enfeitando o céu escuro. Eu não sabia que ritual era aquele, mas ver a Isa de joelhos me fez imaginar ela recebendo pirocadas na boca. Fiquei de pau duro.

De repente na frente dela um vórtice de energia luminosa surgiu. Era um portal para outra dimensão. O portal luminoso vomitou no colo da Isa um vibrador de borracha.

A Isa olhou para mim sorrindo e dizendo:
– Calma, eu sei que você não está entendendo porra nenhuma, mas eu sou uma detetive sobrenatural. O meu trabalho é usar restos de tecnologia para solucionar casos bizarros. O topo do nosso prédio é um lugar onde o fluxo de energia é constante e a bateria do seu Acer era perfeita para abrir um portal de acesso ao Universo dos Objetos Perdidos.

O meu queixo parecia pesar uma tonelada e eu mal conseguia formular uma frase. A Isa então concluiu:
– Bom… Vou levar esse vibrador para a minha cliente. Há semanas que ela procura e não acha. Ah! E se quiser a minha ajuda, seja para encontrar um guarda-chuva perdido ou até exorcismo, pode solicitar os meus serviços.

Eu disse que precisava de um notebook novo. Ela disse que amanhã mesmo iria comprar um novo para mim.
– E também quero um boquete. – Eu emendei.

A Isa sorriu. Ela então largou o vibrador no chão e disse que a chupada seria o meu prêmio por tê-la auxiliado em tal missão.

E ali, no topo do nosso prédio, apreciando a brisa noturna e observando o céu salpicado de estrelas, senti a língua da minha vizinha envolver o meu pau. Foi pura magia.

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