Morei três anos no Rio de Janeiro. Nesse período, tornei-me leitor assíduo de uma revista pornô de circulação mensal. Gostava dos anúncios, das fotos, dos ensaios das modelos, mas minha atenção especial estava sempre voltada para a sessão de contos. Confesso que, assim como a maioria das pessoas que têm oportunidade de ler esses relatos, não os levava muito a sério, achava mesmo que eram apenas sublimações de pessoas de boa imaginação e nada mais.
No meu segundo ano de permanência no Rio, fui à casa dos meus pais durante as férias. Nesse período, vivi uma transa louca. Retornando ao Rio, resolvi, no mês de agosto, enviar para a revista a história dessa tarde de amor que me marcou. Qual não foi minha surpresa quando, cinco meses depois, ao abrir a revista, observei meu relato estampado nas páginas iniciais. Tirei disso duas conclusões: os relatos eram, de fato, o resultado de uma triagem dos relatos enviados pelos leitores e eram verdadeiros.