Não posso reclamar da vida. Tenho vinte e dois anos, um metro e setenta e dois, tenho um bom emprego em uma imobiliária e o melhor: sou vizinho da Isabela. Vizinho de porta. Eu moro no quatrocentos e um e ela no quatrocentos e dois. Isso significa que quando acaba o sal ou o orégano, sou o primeiro para quem ela vai pedir socorro.
– Boa noite vizinho, vi que o meu potinho de açúcar está vazio. Tem um pouquinho aí sobrando? – A Isa perguntou semana passada quando apertou a campainha aqui do meu apartamento.