O sol começava a descer, pintando o céu de tons quentes, quando o táxi parou à frente da casa. Ana saiu do carro, ainda a sorrir para o motorista, um homem de olhos profundos e sorriso fácil. Ele era mais velho, com uma presença que parecia preencher o espaço ao seu redor. Pedro, o marido de Ana, estava na varanda, observando a cena com um aperto no peito. Algo naquele sorriso trocado entre os dois o incomodou.
“Obrigada pela viagem tão agradável”, disse Ana, inclinando-se ligeiramente para dentro do carro, deixando Pedro ver o decote da sua blusa. O motorista, de nome Ricardo, acenou com a cabeça, os olhos a percorrerem o corpo dela de forma que Pedro não podia ignorar. “Até logo, Ana”, respondeu ele, a voz suave e carregada de uma intenção que fez Pedro apertar os punhos.
Dias depois, Pedro começou a notar pequenas mudanças. Ana saía mais vezes, sempre com desculpas vagas. “Vou ao centro comercial”, dizia ela, mas voltava com as bochechas coradas e o olhar distante. Uma noite, Pedro decidiu segui-la. O coração batia forte quando viu o táxi de Ricardo estacionado numa rua deserta. Ana entrou no carro, e Pedro ficou parado, a observar, enquanto o veículo desaparecia na escuridão.
Ricardo conduziu até um local afastado, uma estrada rural onde a única luz vinha da lua cheia. Parou o carro e virou-se para Ana, os olhos a brilhar com uma mistura de desejo e desafio. “Sabias que ia acontecer”, disse ele, a voz rouca. Ana não respondeu, mas o seu olhar confirmou as palavras dele. Ele puxou-a para si, os lábios encontrando os dela num beijo que era fogo puro. As mãos dele deslizaram pelo seu corpo, explorando cada curva, enquanto ela se entregava completamente.
Pedro, que os seguia de longe, sentiu o estômago revolver-se quando viu o carro a balançar levemente. Aproximou-se em silêncio, o coração a bater tão forte que temia que o ouvissem. Quando chegou perto, ouviu os gemidos abafados de Ana, misturados com os suspiros de Ricardo. A raiva e o desejo lutavam dentro dele, mas ele não conseguia afastar-se. Ficou ali, a observar, a sentir-se mais vivo do que nunca, enquanto a mulher que amava era levada ao êxtase por outro homem.
Quando acabou, Ana saiu do carro, o cabelo desalinhado e os olhos brilhantes. Ricardo seguiu-a com o olhar, um sorriso de satisfação nos lábios. “Até à próxima”, disse ele, e Ana acenou, o coração ainda acelerado. Pedro voltou para casa antes dela, sentindo-se estranhamente excitado e envergonhado ao mesmo tempo. Quando Ana entrou, ele não disse nada, mas os olhos dela encontraram os dele, e ambos sabiam que nada seria igual dali em diante.