O bar ainda cheirava a cerveja quente e a suor quando eu saí com ele. A rua molhada de São Paulo refletia as luzes amarelas dos postes, e o ar úmido grudava na pele como uma segunda pele. Rafael me puxou pelo beco sem pedir licença, sem me dar tempo de pensar. A parede de tijolo áspero raspou minhas costas quando ele me prensou ali, a boca dele atacando a minha com uma fome que eu não sentia há meses. A língua dele era quente, grossa, invadia tudo, chupava minha língua como se quisesse engolir o gemido que eu soltei.